Crônicas Esportes

Messi contra a rapa: Argentina está na Copa da Rússia!

Messi comemora um de seus gols contra o Equador e garante a Argentina na Copa da Rússia. Crédito da foto: Juan Ruiz/AFP.
Escrito por Gabriel Galo

Ah, a aflição… Ah, a ansiedade…

A angústia se abatia sobre nossos vizinhos. Munidos de seu tradicional pessimismo, para fora exibiam resignação por conta do risco de verem-se fora da Copa, enquanto por dentro eram corroídos pela dor. Nunca poderemos acusar os argentinos de pecho frio. A desolação era fachada amparada pelo fraco futebol albiceleste.

Ainda assim, dependiam apenas de si mesmos para garantir o passaporte para a Rússia. O medo estava exatamente ali. Como acreditar num time que não consegue bater a Venezuela em casa? Como confiar numa equipe que, até então, tinha ataque melhor apenas que o da Bolívia?

Por um único motivo: Lionel Messi.

Não tenha dúvidas que a bola também lamentava os malfeitos a ela direcionados. Sorria nos pés de Messi e franzia a costura quando dele buscava um companheiro, que porta menos classe, menos jeito, menos tino. O craque abria espaço para que todos pudessem brilhar. Humilde fora da medida, não percebia que perto dele, todas as luzes se apagam. Querer não é poder. Em terra de Messi, todo o resto é coadjuvante.

Antes do apito na altitude de Quito, deve ter dormido com a bola. No chamego e afago com sua amiga inseparável, devem ter se olhado sem nada dizerem. Nela, na redonda, os sentimentos de um país todos transferidos. De Jujuy a Ushuaia, a confluência pelo apelo se fez ali na calada da noite. Nos olhos, ela implorava: cuida de mim.

A câmera varreu a Argentina perfilada para o hino. As vozes de um povo ecoavam em Quito, viajando nas ondas das preces e súplicas. Messi, antenado, captador das esperanças depositadas, entendeu que era com ele que se resolveriam os problemas. Com Messi em campo, o futebol não é esporte coletivo. É parada, é desfile, é palco.

Esqueceram, no entanto, de combinar com os equatorianos, que com segundos de jogo, num vacilo da zaga argentina, saíram na frente. E agora? A estratégia era simples: defendam como puderem, e bola no Messi.

Dono da bola, aprendendo com o erro de dividir protagonismo, grudou a danada no pé. “Sos mia, pelota. No toco y me voy solo. Vamos!” Ah, ela sorriu…

Fez o primeiro, reacendeu a esperança, mas não comemorou. Queria mais. Buscou-a nas redes e a colocou na marca central. Mais alguns poucos minutos, virou o placar, para correr para o abraço de uma nação que respira futebol. No segundo tempo, fechou o placar para que seus conterrâneos pudessem, finalmente, respirar aliviados. Classificados, enfim!

Aliviados, também, respiraram os amantes da arte do ludopédio. Inclusive nós, brasileiros. Afinal, amamos odiar nossos hermanos. Ou odiamos amá-los, numa ordem dos fatores que não altera o produto. Só o escárnio já valeu a resenha.

Armando Nogueira dizia que se Zico não ganhou uma Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo. A lógica se repetiria: Messi fora da Copa seria pior para a Copa e para o mundo inteiro. Veremos o sobrenatural argentino marchando sobre os gramados russos, altivo, soberano. Tentará pintar a Praça Vermelha de branco e celeste. E não duvide de que ele seja capaz. Com a Argentina, é Messi e mais dez quaisquer contra a rapa.

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Crédito da foto: Juan Ruiz/AFP

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Sobre o autor

Gabriel Galo

Olá! Sou o Gabriel Galo, baiano de Salvador, torcedor do Vitória, administrador formado pela FEA/USP, empresário e escritor (cronologicamente falando).

Escrevo (quase) diariamente contos, crônicas, ensaios e análises políticas. Sou também colunista do Correio da Bahia e do HuffPost Brasil.

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