Ensaio

Infeliz oposição

Escrito por Gabriel Galo

Durante evento em homenagem ao dia em que se comemoraria os 50 anos de Eduardo Campos, além dos cortejos e celebrações, Aécio soltou uma pérola. Aspas:

“Não cabe à oposição buscar saída para a crise.”

Muito se discute sobre a incapacidade de diálogo dos políticos com o público. As necessidades estão aí, expostas. A comoção pela morte do Eduardo Campos ainda no embrião da campanha à presidência em 2014 gritava que o povo queria alguém que pude ter empatia.

Isoladamente, a frase pode não ter relevância. Insira no contexto atual, no entanto, e perceberá o tamanho do erro de Aécio.

Vejamos.

O governo demonstra dia após dia total incompetência. Vê sua base desmoronar, não tem influência e seu único poder de barganha são pastas das quais os petistas não querem largar e, sejamos francos, quem quer garantir permanência num navio afundando? As casas do Congresso, vice-presidência, presidência, ministério, ninguém fala a mesma língua, e muitos estão de olho ou no seu próprio crescimento político ou na cadeira mais importante do executivo. Enquanto isso, o país em recessão, inflação projetada para ser maior que 9%, desemprego crescendo, Levy sinalizando aumento da carga tributária…

Nós aqui, do lado eleitor da história, pensando: e eu, como fico?

Queremos alguém que estenda a mão, possa comunicar-se de maneira a deixar entendido, nem necessariamente significar, que se preocupa com os rumos do país. Como oposição, esperamos que se ofereça alternativa aos desmandos e despautérios do PT.

Daí, vem Aécio, expoente do que se vê como alternativa, dizendo que a oposição não tem que buscar saída. Como assim, Aécio? Jura? O papel da oposição é só fazer barulho, então? Me faz lembrar de uma tirinha do Laerte, eles só tocam a musiquinha.

O PT, aparentemente, não precisa ter com o que se preocupar. A inoperância e absurda incapacidade da oposição trava uma ação conjunta que pense no país. Continuaremos com plano de governo, não de estado. Os caciques dos rivais querem assumir o comando da tribo, apenas. Pobre Brasil, que vive um cenário de terra devastada, sem ninguém aparentemente capaz.

Enquanto isso, nós, aqui do lado frágil, torcendo para que tudo isso passe e as coisas voltem ao normal.

Laerte - Botijão

Sobre o autor

Gabriel Galo

Olá! Sou o Gabriel Galo, baiano de Salvador, torcedor do Vitória, administrador formado pela FEA/USP, empresário e escritor (cronologicamente falando).

Escrevo (quase) diariamente contos, crônicas, ensaios e análises políticas. Sou também colunista do Correio da Bahia e do HuffPost Brasil.

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