Eleições 2018 Ensaio Política

Lições básicas sobre campanha política, parte 1

campanha política
Escrito por Gabriel Galo

Campanha política é um dos mais fascinantes períodos existentes. Aquele em que se juntam conceitos de teoria dos jogos, psicologia, sociologia, economia, direito, comunicação, administração, contabilidade, design, fonoaudiologia, etc e tal. Fato é que tem manual de instrução. E algumas recomendações podem ser condensadas num manual de lições básicas a serem aprendidas.

  1. Esvazie-se de emoção na hora de analisar cenários políticos ou de planejar estratégias de campanha. Isto tende a artificialmente diminuir seus adversários e inflar seu ego. Quanto mais pragmático, melhor.
  2. Campanhas propositivas são lindas na essência, mas altamente ineficazes.
  3. Jingles, sim; coreografia NUNCA. Dancinha é motivo de chacota, feita para dar errado.
  4. Eleição é narrativa. A mais forte e convincente vence. E demora para ser construída. O ideal é parecer que o candidato é chamado pela população para o cargo.
  5. Tempo excessivo de televisão pode ser um tiro no pé caso você não tenha carisma. Ou então, caso não se tenha profundidade de programas e propostas. A estupidez e o desconforto com exposição não conseguem ser escondidos por muito tempo.
  6. Nunca duvide da incompetência do PSDB em perder para si mesmo e implodir suas bases.
  7. O voto útil no Brasil é, em linhas gerais, votar em quem tem chance de ganhar. Argumentos do tipo “votem em mim para tirar a pessoa/grupo X” não funcionam.
  8. Pesquisas são fundamentais para impulsionar ou dinamitar tendências. Embalo se retroalimenta.
  9. Todo candidato precisa de um banho de loja. Mudar roupa, visual, cabelo, jeito de falar, ser treinado para mídia… Não aceitar significa não estar disposto a tomar medidas práticas para efetivamente ser eleito. Consciente ou inconscientemente, o povo percebe o desleixo.
  10. Atritos externos de opinião dentro de uma mesma chapa significam crise interna.
  11. O vice escolhido serve a um propósito de suprir uma carência do cabeça-de-chapa. É uma mensagem contundente das intenções do candidato.
  12. Candidato(a) tem que ir pra rua. Tem que ser visto, tem que interagir. E (quase) todos que estarão com ele(a) empunhando bandeiras receberão dinheiro (ou substituto) para estar ali.
  13. Saber como (e quem) atacar é tão (ou mais) importante quanto saber se defender. Defender-se contra-atacando, então, abordando diretamente o tema da pergunta e forjando novo alvo, é uma arte.
  14. Segundo turno depende fortemente da qualidade dos palanques regionais. Quem não tem palanque pra subir (ou sobe com quem não tem importância) fica pra trás.
  15. Quer saber quem vai se eleger? Observe os movimentos do Centrão. Especialmente do PSD e do MDB. Aonde eles forem, governo será. E não há qualquer remorso em abandonar barcos afundando e se aninharem no candidato com mais chances.

Leia artigo com as 10 lições básicas sobre política, parte 1.

Sobre o autor

Gabriel Galo

Olá! Sou o Gabriel Galo, baiano de Salvador, torcedor do Vitória, administrador formado pela FEA/USP, empresário e escritor (cronologicamente falando).

Escrevo (quase) diariamente contos, crônicas, ensaios e análises políticas. Sou também colunista do Correio da Bahia e do HuffPost Brasil.

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