Eleições 2018 Ensaio Política

PSDB, PMDB e 2018

Escrito por Gabriel Galo

A última semana foi de extensa bipolaridade entre os maiores envolvidos na condução da política nacional. Primeiro, ainda mais acusações sobre Michel Temer vieram à tona, culminando com uma campanha feroz e resiliente de alguns canais de comunicação para trabalhar a massificação da pressão pública. Segundo, o vai-e-vem talvez incompreensível do PSDB, e seu apoio-ou-não, e seu ficou-ou-vou. No fim, a OAB reuniu-se com Rodrigo Maia a questionar a demora para que o pedido de impeachment seja apreciado pela Câmara.

Antes de entrar no eixo das negociações entre PSDB e PMDB, é fundamental entender o papel de Rodrigo Maia (DEM-RJ) neste cenário. O carioca é o primeiro da linha de sucessão. Ou seja, se Temer cair, ele assume a cadeira. Acontece que ele não é burro, sabe perfeitamente da impossibilidade de se governar sem o apoio do PMDB. Seria colocar todo o holofote sobre si, além de atrair a ira da corja que hoje comanda o país. Em palavriado mais chulo – para apreciação de dado cacique tucano -, eternizado no filme Tropa de Elite, Rodrigo está atuando em modo “cada cachorro que lamba a sua caceta”. “Essa pica não é minha”, deve ter ele respondido para a OAB.

Lembrando de um ensaio que escrevi sobre como se faz um impeachment, é necessário alguém que queira ser governo e pressão da opinião pública. Rodrigo Maia, primeiro na fila, quer, acertadamente, ficar longe. Então, neste eixo, não haverá impeachment.

Sobra, portanto, como equilibrar as funções do PMDB e do PSDB para 2018.

2018? Sim, as famigeradas eleições do ano que vem já estão sendo tratadas em bastidores e alianças espúrias.

O vai-e-vem do PSDB tem explicação, e grande parte dela está no caos.

Não há norte ou liderança na social-democracia. Há uma conhecida e controversa briga de egos, com tantos caciques tentando tomar à força a frente do partido. Até mesmo FHC tem sido ressuscitado. A bagunça é tanta, que se João Dória estiver na frente da preferência, alguns vão tentar fazê-lo suplantar seu mentor, Geraldo Alckmin, na corrida para a presidência.

O que é fundamental de se entender como premissa, já listado ali em cima, e é um dos motivos para que o presidente da Câmara mantenha-se pianinho: não existe governo sem o PMDB. O PSDB sabe disso e as tratativas para atrair o partidão para dentro de sua campanha em 2018 estão caminhando a todo vapor.

A grande questão é encontrar o equilíbrio: aquele ponto em que o PMDB faz parte da sua base aliada, mas não é grande demais no ponto de poder derrubá-lo.

Entende o dilema? Até que ponto o PSDB tem que ceder para que o PMDB esteja satisfeito, mas sem gosto de quero mais, podendo puxar o tapete?

Está sendo muito complexo achar este ponto exato.

Do lado do PSDB, a tática está sendo relativamente simples. Eles sabem que, neste momento, podem ser para o PMDB o que o próprio PMDB foi para o PT: se decidirem desembarcar, todo mundo desembarca. Assim, os tucanos são o fiel da balança para que o governo continue sendo governo. Este trunfo está sendo colocado na mesa, quase como chantagem. “Garanta que Aécio sobreviva, vocês ficam no Planalto, e em 2018 caminhamos todos juntos.”

O PSDB, especialista em muro que é, ao mesmo tempo, criou uma espécie de apólice de seguro: a possibilidade do desembarque. Vai que… Esta dúvida cria uma insegurança enorme no PMDB, que, do outro lado da mesa, entende que pode acertar tudo ali, mas se a opinião pública se insurgir e, principalmente, Rodrigo Maia fazer brilhar-lhe os olhos querendo o trono, o PSDB desfaz tudo, sem hesitar. Aproveita o momento para conseguir mais do que o tucanato está disposto a oferecer.

O grande pulo do gato, a maluquice da política de alianças que existe em Brasília, é que MESMO que o PSDB desembarque, vai continuar negociando com Michel e seus asseclas. Mas em vez de participação efetiva, sobraria migalhas por conta de um partido esfacelado.

Assim, temos uma briga de egos e de poder. Tenta-se de tudo um pouco e vê-se qual o risco de a corda roer. É um jogo de blefes e de chantagem. Até mesmo dentro do partido. Com o PMDB, todos estão no mesmo barco. Já no PSDB, uma hora, um oferece algo, outro oferece mais depois. E a cada rodada, a cada adiamento de resolução, Temer ganha sobrevida e, consequentemente, mais barganha. Daí a Globo, daí o Rodrigo Maia, daí o Joesley, daí… Daí tudo pode mudar, tome idas e vindas e quase tudo volta à estaca zero.

Nesta dinâmica, tudo é caos.

E não duvidem que, se tudo for por água abaixo, os ratos poderão morrer atirando, vendo o circo pegar fogo com alegria, porque se não são os donos do circo, para que existir um?

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Crédito de imagem: Beto Barata/PR

Sobre o autor

Gabriel Galo

Olá! Sou o Gabriel Galo, baiano de Salvador, torcedor do Vitória, administrador formado pela FEA/USP, empresário e escritor (cronologicamente falando).

Escrevo (quase) diariamente contos, crônicas, ensaios e análises políticas. Sou também colunista do Correio da Bahia e do HuffPost Brasil.

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