Ensaio

Quem matou Fernando Haddad?

Escrito por Gabriel Galo

Na história da cidade de São Paulo, depois da reabertura política, nenhum prefeito foi reeleito. Haddad luta contra muitas barreiras nesta disputa. A história. O PT. Sua administração, controversa em alguns pontos. O Dória.

Haja oratória para viabilizar a campanha do petista.

Dentro dos quadros congelados do PT – mesmo mal de que sofre o PSDB – Haddad surgiu como fio de esperança. Tão meteórico quanto seu surgimento foi sua derrocada.

Suas medidas se provaram altamente impopulares.

A grande dúvida que paira é se estas ações impopulares trarão, efetivamente, benefícios à cidade. E antes que alguém fale, por exemplo, da Paulista aos domingos, reforço que de impopular, hoje em dia, esta ação não tem absolutamente nada.

Bateram pesado no prefeito por dois temas que levantaram euforia cidade afora: as ciclofaixas e as velocidades reduzidas. Algumas ações foram importantes e nos fazem perguntar porque não fizeram antes, como o bilhete único mensal, semanal e diário. E a troca de iluminação, que deu uma outra cara a tantos pontos da cidade. A Controladoria Geral do Município.

Parece pouco, não? E é.

São 3 os temas principais em São Paulo: transporte, saúde e educação. Alguns colocam economia na equação, mas quando um dos problemas da cidade é arrecadação em queda, mesmo com um ISS muito mais caro do que outras cidades da região metropolitana, aumento de impostos está fora da equação. Medidas impopulares têm limite, mesmo para o prefeito.

No transporte, a sensação que fica é a de que somente o PT, com o ducado dos Tatto e as empresas de ônibus, é capaz de desenlaçar um sistema corrupto até as entranhas. Não é ônibus novo que dá jeito. É revisão das linhas, realocação de horários, acordos de nível de serviço com relação a tempo e qualidade. A viagem ficou um pouco mais rápida com os corredores, mas pergunte para alguém que perde o ônibus e tem que esperar uma hora pelo próximo se tem funcionado a contento.

A saúde virou o grande mote desta campanha. Como um cão raivoso e bestial, Dória dispara impropérios mesmo a quem, contra tudo, tenta fazer um hospital funcionar (se você não viu o vídeo do Dória discutindo com um diretor de hospital, veja; é esclarecedor do caráter do candidato). Pouco também se fez nesta área.

Em Educação, enquanto alguns discutem o famigerado e absurdo escola sem partido, creches continuam sem funcionar, escolas com péssima qualidade de ensino. Acabou com a aprovação automática, e em que isto quer dizer melhor qualidade de ensino? Nada, senhor prefeito.

Haddad levantou muitas promessas durante sua campanha. Pouco fez, excetuando-se aquilo que não é estruturante.

Foi atingido por Dilma e seus asseclas, gerando uma crescente onda de rejeição ao PT.

Foi abandonado pelo partido quando suas medidas desagradaram parte da cúpula.

Não foi uma coisa separada. Foi uma conjunção de fatores.

Em sua campanha, o atual prefeito caminha com as pessoas, entrevista, está sempre junto do povo. Como de praxe, a propaganda é muito bem produzida. A oratória dele é muito boa, a melhor de todos os candidatos. Mas não será suficiente. Porque a população não enxerga no partido, e nele, por consequência, credibilidade. Não há confiança.

Morrerá por falência múltipla de órgãos.

Caberá ao PT tentar resgatar aquele que, eventualmente, seria a renovação do partido e artífice de sua retomada.

***

Tentei ficar longe da política, não consigo. O tópico é atraente demais para ser deixado de lado. Outro ponto é que, ao contrário do que reza a sabedoria popular, política se discute, sim. Não com pedras e facas, numa batalha campal de ideologias rasas, mas com propostas, debates, análises. Aqui, começo a falar das campanhas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, onde moro e mais atrai à atenção os olhos do país. Num primeiro momento, vou ver as campanhas em si, se a comunicação é boa efetiva, se a mensagem agrada e dá chance ao candidato.

Sobre o autor

Gabriel Galo

Olá! Sou o Gabriel Galo, baiano de Salvador, torcedor do Vitória, administrador formado pela FEA/USP, empresário e escritor (cronologicamente falando).

Escrevo (quase) diariamente contos, crônicas, ensaios e análises políticas. Sou também colunista do Correio da Bahia e do HuffPost Brasil.

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