Ensaio

Uma saída para Dilma

Escrito por Gabriel Galo

No primeiro “O Poderoso Chefão”, o patriarca Vito Corleone é baleado, passa alguns meses internado e no seu lugar assume Michael Corleone, depois do assassinato de seu irmão mais velho, Santino. A estrutura da máfia corre risco, com o risco de uma guerra entre as famílias. Quando recuperado, Vito torna-se consigliere, função de extrema relevância na família, uma espécie de conselheiro. “E que melhor consigliere que o meu próprio pai?”, pergunta Michael justificando a destituição de seu irmão adotivo Tom Hagen do cargo. Vito tem uma profunda admiração por Michael; Michael, um respeito infinito pelo pai.

Corta para 2015.

Dilma está perdida. O começo do ano e a conturbada eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara desmantelou o seu único trunfo do primeiro mandato, a imensa bancada governista no Congresso. A debandada foi branda, mas os insurgentes, ou todos os que lá ainda estão, querem mais relevância, uma fatia maior do bolo. E como aparentemente o bolo não tem mais como crescer, a possibilidade única seria de cortar na própria carne. Os bastidores estão em polvorosa, não há solução visível.

Dilma, sabidamente, é uma péssima articuladora política. Muitos, inclusive, questionam se há algo em que ela seja efetivamente boa. A mensagem para a base é complicada de digerir: não sei e não quero fazer. Prenúncio de dias piores. Na crise, Dilma se cala.

Quem, então, para colocar a casa em ordem?

Tal qual Michael e Vito, Dilma deveria convidar Lula para seu consigliere. Digo, Ministro da Casa Civil. Em tempos de guerra, quem melhor para articular e negociar com a base que seu próprio mentor? Adeus, sem muita cerimônia, Mercadante. Certamente haverá um outro ministério para abrigá-lo, é o que não falta em Brasília.

O resgate de Lula poderia resolver algumas questões graves desde que Dilma assumiu o posto em 01 de janeiro de 2011: a presença de uma figura midiática mais pesada, diminuindo a pressão contra a imagem da presidente; a capacidade de articulação que pudesse trazer à luz a negociação com a base aliada; como também colocar o governo na vanguarda da discussão do momento político atual, afinal, falar é com o ex-Presidente.

Há arestas, no entanto, a serem aparadas. Diz-se do clima não amistoso entre Lula e Dilma. Há ressentimento, Lula quer ser mais ouvido, mais relevante, enquanto Dilma quer queimar seu sutiã e ir à luta sozinha. Está provado que ela sozinha não pode. Seria prudente colocar o orgulho de lado e pedir socorro. Mesmo que os holofotes foquem no seu padrinho, essa luz a queima.

Na minha visão, é a única possibilidade destes que aí estão continuarem no Planalto. Nem Lula resolveria um governo tão cheio de descrédito e debilitado sendo apenas candidato nas eleições em 2018. Não que eu queira que continuem os trabalhadores no poder, mas sou movido, principalmente, pelo profundo desejo de que o país finalmente volte a andar, parado que está desde o pré-Copa.

O que será de nós, com mais 4 anos como este 2014?

Volta, Lula. Mas por tempo limitado.

Sobre o autor

Gabriel Galo

Olá! Sou o Gabriel Galo, baiano de Salvador, torcedor do Vitória, administrador formado pela FEA/USP, empresário e escritor (cronologicamente falando).

Escrevo (quase) diariamente contos, crônicas, ensaios e análises políticas. Sou também colunista do Correio da Bahia e do HuffPost Brasil.

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